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De que forma pode o mindfulness impactar o bem-estar?

Todos nós desejamos sentir bem-estar e viver melhor, mas o nosso estilo ou condições de vida estão a causar danos, manifestando-se como fadiga, ansiedade, esgotamento ou até mesmo dor física. Este tempo histórico que estamos a viver com a pandemia tem agravado muitos destes sintomas. Muitos de nós sentem-se desconectados, presos a rotinas anteriores que deixaram de ter significado e vivendo em constante preocupação ou medo. A boa notícia é que – com a prática, podemos melhorar o nosso bem-estar e atingir um estado de maior equilíbrio e satisfação.

Uma meta-análise (1) publicada na revista Nature Human Behavior e que examinou mais de 400 estudos efetuados com mais de 50.000 participantes, avaliou várias abordagens psicológicas e o seu impacto na melhoria do bem-estar. Os participantes foram colocados em três categorias: pessoas com boa saúde em geral, pessoas com doenças mentais e pessoas com doenças físicas. Os investigadores concluíram que, nesses três grupos, todos beneficiaram com a prática de Mindfulness. De forma mais específica, nos últimos anos têm-se desenvolvido e publicado numerosos estudos sobre os benefícios da prática regular de mindfulness quer no alívio de problemas de saúde física ou mental, como a dor crónica (2), ansiedade, stress (3) e depressão (4) quer na melhoria do bem-estar geral (5), autocompaixão, empatia (6), alegria e contentamento (7).

A prática de Mindfulness (entendida de forma simplificada, como a capacidade de prestar atenção de forma intencional às nossas experiências internas e externas, com uma atitude de curiosidade, amabilidade e não julgamento) permite o treino de diferentes mecanismos relacionados com o bem-estar, nomeadamente:

  • A capacidade de foco no momento presente (facilita uma menor ruminação, a diminuição da ansiedade e do stress e permite emoções mais positivas como a gratidão)
  • A capacidade de descentramento (a observação sem autoidentificação permite a aceitação e a gestão das experiências negativas sem comportamentos de evasão e negação)
  • A autocompaixão (incentiva estados positivos, como equanimidade, motivação e interconexão)
  • A autorregulação emocional (permite reconhecer e quebrar padrões de comportamento e responder às situações com um impacto mais positivo)
  • A empatia e compaixão (permite uma maior compreensão e conexão com o outro evitando esgotamento e comportamentos antissociais)

Em suma, se quiser trabalhar para melhorar seu bem-estar, sem dúvida que incorporar a prática de Mindfulness na sua vida diária pode ser uma excelente decisão. A prática de mindfulness não é exclusiva para momentos estruturados e dedicados como a meditação. O convite é que possa também trazer essa qualidade de atenção com curiosidade e sem julgamento para a vivência do seu dia a dia: enquanto caminha, enquanto toma uma refeição, enquanto brinca com o seu filho, enquanto conversa com um doente ou mesmo enquanto assiste a um congresso!

*Artigo originalmente publicado no jornal do Congresso da APFH, Novembro 2021

  1. Van Agteren J et al, (2021) A systematic review and meta-analysis of psychological interventions to improve mental wellbeing. Nat Hum Behav., doi:10.1038/s41562-021-01093-w
  2. Kabat-Zinn, J. (1982). An outpatient program in behavioral medicine for chronic pain patients based on the practice of mindfulness meditation: Theoretical considerations and preliminary results. General Hospital Psychiatry, 4(1), 33-47
  3. Bishop, S. R. et al (2004), Mindfulness : A Proposed Operational Definition. Clinical psychology: Science and practice, 11(3), 230–241.
  4. Teasdale, J. D., et al (2000). Prevention of relapse/recurrence in major depression by mindfulness-based cognitive therapy. Journal of consulting and clinical psychology, 68(4), 615.
  5. Brown, K. W., at al (2007), Mindfulness: Theoretical Foundations and Evidence for its Salutary Effects. Psychological Inquiry, 18(4), 211–237
  6. Neff, K. (2003), Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85-101
  7. Davidson, R. J. et al (2003), Alterations in brain and immune function produced by mindfulness meditation. Psychosomatic medicine, 65(4), 564-570.
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